
Saído de casa, com poucas hora de sono, lá vim eu para o ex-libris cultural da cidade, passar o tempo, descarregar o veneno, enquanto o meu pai espera pelo trolha que nunca mais aparece.
E é assim, Guimarães, junho de 2009, vêspera de eleições europeias, a dois anos duma suposta capital europeia da cultura. Cá estou eu, sozinho, encalhado neste vale, á espera dum teletransporte que me leve para longe, muito longe. Tentando não me enfiar nas armadilhas do costume, o que geralmente acontece aos náufragos nas ilhas desertas, volta e meia a falar sozinho, ou a pensar alto!
E eu que me lembro quanto adorava esta cidade aos 17 anos, sempre que saia á noite, o entusiasmo, a excitação perante o futuro, aqui onde as pessoas pareciam-me tão cool, saídas dum universo paralelo. As raparigas que fumavam que se fartavam, e bebiam com uma avidez que nos deixavam em apuros a tentar acompanhá-las. O contexto geral da época aonde tudo era mais barato, da cerveja ao tabaco, e o dinheiro não era uma dor de cabeça, como se tornou mais tarde. Acima de tudo, era o potencial que havia nos amigos que nunca mais reencontrei, das loucuras ingénuas, das bebedeiras solarengas, das intoxicações matinais, naquele olhar dourado que existia em todos nós.
E agora a caminhar para os 27, tento com muita força não cair na nostalgia, na relembrança daquilo que foi desperdiçado, mas ciente de tudo aquilo que foi amadurecido, e digo claramente : Estou vivo!
E com a agilidade dum alpinista, escapo aos precipicios e ravinas, e subo mais um pouco nesta montanha, para poder respirar e ver melhor, sabendo que viver é uma arte cada vez menos acessível a nós comuns mortais!
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