sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O Deus abandona Antonio.

Quando bruscamente, nas trevas da noite,
ouvires passar o tropel invisivel das vozes puras,
O coro celeste das sublimes harmonias,
Abandonado definitivamente pela fortuna
Desfeitas em po as ultimas esperancas
Esvaida em fumo uma vida de desejos.
Ah! nao sucumbas lastimando um passado
Que te traiu, mas como um homem
Que se prepara ha muito tempo,
Despede-te corajosamente
De Alexandria que te abandona.
Nao te deixes iludir e nao digas
Que foi sonho ou um logro dos teus sentidos
Deixa as suplicas e os lamentos para os poltroes
Abandona as vas esperancas
E como um homem que se prepara ha muito tempo
Resignado, altivo, como te compete
E a uma cidade como esta,
Abre a janela e olha para a rua
E bebe a taca inteira da amargura
E a derradeira embriaguez da multidao mistica
E despede-te de Alexandria que te abandona.

CAVAFIS

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